Ontem recebi a visita de um amigo em casa. Aliás, meu melhor amigo. Depois de “Como foi a  viagem?”, “Está com fome?” e “Eu estava com saudade”, comentei que estou num processo de me tornar vegetariano e ele me disse “Você mudou”. Se referindo em como eu mudei depois que saí de Araçatuba/SP em janeiro de 2014 e vim morar em São Paulo/SP.

É verdade, eu mudei.

elefante

Nos conhecemos na faculdade e chegamos a trabalhar juntos. Sempre fomos grudados. Saíamos juntos, viajávamos, arrumávamos a mesma desculpa de só sair de casa depois que acabasse o capítulo de “Avenida Brasil”. Quando realmente decidi deixar o interior e comecei a me programar para vir para a capital, as pessoas sempre diziam: “Como vai ser você sem o Doug? Não imagino vocês separados”. Nem eu.

Quando eu ainda morava em Araçatuba, tinha medo de perder as amizades quando saísse de lá. Existia em mim um receio de que as pessoas vissem que mudei e esse “novo Oda” não fosse o que eles esperassem (eu mais uma vez preocupado com o que vão pensar de mim e aceitar quem sou. Mas quem nunca, né?). Minha outra melhor amiga, a Pri, disse uma vez que uma amiga nossa mudou muito depois que foi embora de lá. Concordei.

“O ser humano é um elefante em relação à mudança.”
Jurandir Freire

Mas a mudança é saudável, não? Acredito que hoje eu sou um ser humano melhor do que ontem. A mudança não foi só física ou geográfica. Sair da casa dos pais, mudar de cidade, me obrigar a ser independente, conhecer pessoas novas, cuidar de uma casa sozinho… É impossível não mudar com tudo isso. Envelheci 7 anos em 2.

“Há momentos na vida em que é solicitado romper, buscar outro lugar, procurar outro caminho, ou seja, mudar.” Saí de Araçatuba porque lá não era mais o meu lugar. Eu tinha todos os meus amigos e minha família, mas infelizmente, a vida não é só isso. Precisamos trabalhar, sair, comer, interagir com outras pessoas, e quando você não se enquadra com todo o resto, talvez você só esteja no lugar errado.

“Ser alvo de mudança exige um desprendimento do passado objetivando um foco maior no futuro que antes de tudo direciona o sujeito para viver o presente.”

Tudo muda. As coisas, as pessoas. Meus amigos também não são os mesmos e daqui alguns dias seremos diferentes do que somos hoje. Felicidade é saber que, apesar das mudanças, existe algo que une as pessoas que é maior que qualquer transformação. É normal trombar com aquela pessoa que você era grudada no ensino médio e vocês simplesmente não terem assunto.

Hoje, o Doug está lá em casa e sexta a gente só vai sair de casa depois de assistir “A Regra do Jogo”. A Pri, me convidou para ser padrinho do filho dela e toda vez que vou para Araçatuba, visito eles e peço pra mãe dela fazer seu maravilhoso bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Eu não sou o mesmo. Nem eles. Até nossas piadas mudaram. Mas apesar de tudo, sempre seremos nós mesmos.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *