Minha mãe sempre me disse que sou muito chato. Quando apresentei meu namorado, ela perguntou pra ele como ele consegue conviver comigo. “Mas o Odair é meio chato, né?” Minha irmã tem a mesma opinião. E meus amigos, nem preciso comentar… A verdade é que na maioria das vezes, eu tenho feito coisas que eu quis, sem medo de dizer não. E por isso, sou chato.

O tempo todo, todas as pessoas estão dizendo o que você deve fazer. “Mas você tem que aceitar esse emprego”, “Fulano é perfeito pra você”, “Mulher não pode ser mãe solteira”., “Essa roupa não é legal”, “Fala que nem homem”, e ninguém é mais adequado do que você mesmo para saber o que é melhor para a sua vida. Só a gente sabe o drama que a gente passa. E nenhuma outra pessoa vai ter conhecimento suficiente da sua vida para dizer o que você tem que fazer. E mesmo que a sua decisão esteja errada, você vai entender no futuro. Mas porque você decidiu e aprendeu sobre isso e não porque disseram pra você o que deveria ser feito.

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Ficamos tão preocupados com o que vão pensar das nossas decisões que nos tornamos presos na vontade dos outros.

Quantas vezes a gente não aceita ir a uma festa por que fomos convidados e fica chato desistir? Ou não quis sair do trabalho porque disseram que lá era mais garantido para o futuro? Ou seguiu o amigo nas redes sociais só pra agradá-lo? Comer, sair, trabalhar, o que vestir… Em todos os momentos do nosso dia a dia as pessoas estão dizendo o que temos que fazer e, às vezes, esquecemos o que realmente queremos.

Quando uma pessoa faz algo apenas por obrigação, ela deixa de usar o seu tempo para fazer algo que a torne mais feliz.

Isso é realmente o que eu quero pra mim?

Depois que mudei de cidade e passei a morar sozinho, me dei conta de que eu não estava mais fazendo o que gosto de verdade. Toda essa pressão de “ter que ser adulto” me deu saudades de quando minha única preocupação era pensar em uma desculpa para não participar da aula de Educação Física. A gente cresce e se pega fazendo coisas que não escolhemos, seja na vida pessoal ou profissional. Porque ser adulto tem essa coisa de vida chata, responsabilidade, network, agradar as pessoas, cuidar da imagem e sair bem nas fotos.

Foi quando eu me dei conta que eu não estava fazendo mais o que eu quero. Eu não desenhava mais pra mim, só pros outros. Não me lembro quando foi a última vez que toquei violão (e essa tentativa me fez ver que eu já não toco como antes). O tempo passa e quando a gente vê muito do que fazemos já não condiz com o que queremos. E não adianta esse papo de ser vítima do trabalho e do tempo…

“Parte da minha identidade é dizer não para coisas que não quero fazer.” Lady Gaga

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Não sei quem disse ou escreveu isso. Se souberem, me avise pra eu dar o crédito merecido.

É nosso direito escolher o que fazer, acreditar e cuidar da própria vida. O que as pessoas querem que a gente faça, sempre vai ser pra elas e não pra gente. Temos muito mais a oferecer, mas perdemos tempo pensando em como agradar a pessoa que vai receber. Um bom exemplo é tentar entender aquela pessoa que manda um “Oiiiiiiieeee!” e fica chateada com um “Oi” como resposta.

Por que as pessoas vão deixar de gostar de mim se eu disse ou fiz o que pensei? Se alguém se afastar de mim por isso, por que eu devo me importar? Se eu me importo, por que eu quero essa pessoa próxima a mim?

Talvez seja por isso que a minha mãe me ache tão chato. Eu não quis fazer as aulas de Educação Física na escola, e não fiz. Eu não quis ir nas festa de fim de ano da família, e não fui. Eu não quis continuar morando em Araçatuba/SP porque precisava tentar algo maior, e não continuei. Hoje, eu não quero aceitar novamente fazer algo só porque me disseram que isso é o melhor pra mim. E não vou. Talvez amanhã eu mude de ideia a respeito de tudo isso e tudo bem também.

Um dia perceberemos que a felicidade só existe quando a gente faz o que gosta (desde que isso não prejudique outro ser). E só então vamos entender o que o outro quer sem precisar dizer o que ele tem que fazer.

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