Quando alguém me pergunta sobre nascer com dom, a primeira coisa que eu respondo é: “ISSO NÃO EXISTE!”. Mas se fosse para eu apontar um amigo com dons, esse amigo com certeza seria o Paulo Amaro. Eu costumo dizer que ele a pessoa mais Lady Gaga que conheço porque é um artista completo: desenha, canta, compõe, entende de arte de verdade. Conheci o Paulinho nesse mundo de desenhos, ilustrações e projetos com arte (ou seja, grupos e amigos em comum no Facebook).

Paulo-Amaro-Miga-Melhore

O Paulo nasceu em Brasília/DF e vive lá. Tem 27 anos, é artista plástico e também atua como professor de desenho, ilustrador e cantor. No último domingo, ele lançou seu primeiro single “Miga, melhore!”. Conversamos um pouco e ele nos conta um pouco mais sobre a música e os próximos planos.

Oda: Quando foi que você decidiu fazer música?
Paulo: Eu venho de uma família extremamente musical, mas sem nenhum músico profissional. Na infância, nosso despertador era o aparelho de som que ficava na sala, um cheiro de café e minha mãe cantarolando. Meu irmão mais velho sempre foi uma referência e quando ele me chamou para ajudá-lo em um show eu fiquei apaixonado por toda aquela energia. Eu tinha uns 12 anos de idade e era só pra eu segurar uma bandeira com o logo do grupo dele e já sai de lá sonhando. Aos 15 eu já estava em estúdio, já escrevia minhas músicas, mas parei para estudar artes plásticas.
No ano passado sofri uma violência, fui agredido por 4 homens e tudo indica que a agressão foi por homofobia. A violência física que sofri, marcou também minha família e meus amigos. Infelizmente, a “justiça” nunca foi feita e os agressores nunca foram identificados. Eu não poderia ficar calado e a música me deu uma voz pra lutar contra a impunidade, não só por mim, mas por todos que já passaram por essa dor.

O: Quais as suas referências nas artes gráficas e na música?
P: Eu sou apaixonado por arte contemporânea e o Cildo Meireles é o artista responsável pelo efeito boquiaberto de Paulo Amaro. Também admiro muito artistas como Hélio Oiticia, Marina Abramovic e tenho Duchamp registrado na pele. A lista de músicos que me influenciam é enorme, mas meu rap não seria verdadeiro sem ter conhecido MVBILL, minhas composições não seriam válidas sem Paulinho Moska e a possibilidade de brincar e misturar artes visuais com música não existiria sem Gaga!

miga-melhore-3

O: Você me disse que está produzindo um EP. Fale mais sobre o projeto e qual o objetivo que você busca com ele.
P: Tá tudo no campo da experimentação. Não sei se as músicas que estou fazendo resultarão em um EP ou em um álbum. Eu tenho muito material e estou experimentando quase 100% dele, dentre todas as limitações de orçamento. As músicas são autobiográficas, mas não são necessariamente egocêntricas, elas estão mais para a ideia de “Olha, tá vendo que o que acontece com você, acontece comigo também? E acontece com mais pessoas!”. O trabalho é uma linha, um link, uma ligação sobre nossas semelhanças e diferenças. Também é sobre aceitação, sobre experiências de vida… Sobre composições e decomposições , sobre arte!

O: O primeiro single tem uma pegada bem fun e descontraída. O que podemos esperar dos próximos?
P: “Miga, melhore!” é uma expressão muita utilizada nos meus ciclos de amizade e essa música surgiu como se eu estivesse conversando com meus amigos, por isso ela tem essa pegada descontraída e debochada. Eu sou extremamente irônico, então meu humor está nessa faixa. Mas como não sou feito só de ironia, as próximas músicas girarão em torno de outros temas, alguns bem mais sérios, outros leves, outros carregados de dor.

miga-melhore-2
O: A letra de “Miga, melhore!” fala sobre confiança e traição. A história contada diz respeito a alguém que passou pela sua a vida? Rs.
P: Como falei anteriormente, tudo é autobiográfico! Essa música tem sim uma “musa inspiradora” Rs.

O: O lyric video da música, além de trazer referências e personas do mundo pop, também retrata a atual situação da política brasileira. Acredita que você e outros artistas podem ajudar nisso?
P: Eu não sou do tipo que acredita que “política, religião e divas pop não se discute” rs.  Muito pelo contrário, acho que toda discussão é válida, dentro dos limites de respeito às opiniões. Nossa ideologia, às vezes, é só a reprodução da ideologia alheia e a capacidade de refletir. E até mesmo mudar de opinião é algo que não surge se estivermos indispostos a ouvir.
Quando citei Cildo Meireles como meu artista favorito, eu estava falando justamente sobre arte e política. Os artistas são formadores de opinião em potencial, mas eu admiro a arte que não vende uma verdade absoluta, meus olhos brilham mais quando ela vende uma interrogação, um enigma.  E a arte deixa de ser algo exclusivo de quem a criou quando essa interrogação torna-se algo na mão do receptor.

Abaixo, você pode conferir o primeiro single do Paulo Amaro. O lyric video está sensacional e a música é simplesmente viciante. Para saber mais sobre o trabalho dele, é só acompanhar ele no Youtube, Facebook, Instagram, Snapchat (amaro.paulo). 😀

#MigaMelhore

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *